sábado, 22 de agosto de 2009

Alerta para os perigos da cesariana



Estudo da Organização Mundial de Saúde indica que número de mulheres que morrem depois de dar a luz é proporcional ao aumento das concepções induzidas em hospitais

O grande número de cesarianas realizadas na América Latina aumenta o risco de mortes e complicações pós-parto para mães e bebês. A conclusão é de um estudo da Organização Mundial de Saúde (OMS), órgão das Nações Unidas (ONU), publicado ontem na revista médica The Lancet. Segundo os dados coletados, as mortes pós-parto subiram em até 20% com o aumento do número de cesarianas.

Pesquisadores da OMS selecionaram aleatoriamente 120 hospitais públicos e privados em oito países: Argentina, Brasil, Cuba, Equador, México, Nicarágua, Paraguai e Peru. Um terço dos 97 mil partos analisados durante o período do estudo foi realizado por cesariana. Os cientistas concluíram que os hospitais com o maior número de partos realizados por meio de cesarianas eram os que apresentavam maiores taxas de doenças maternas, mortes e uso de antibióticos após a gravidez.

BRASIL

Os peritos da OMS, que é um organismo ligado às Nações Unidas, estudaram os registros de 15 hospitais públicos e 4 privados no Brasil. Foi observado um volume de cesarianas próximo da média da região, de 33%. Os hospitais privados apresentaram números de partos induzidos um pouco acima da média verificada nos estabelecimentos de saúde pública.

Em países como México e Equador, o índice encontrado foi bem maior que no Brasil. No México, por exemplo, em dois hospitais privados observados, na capital, as cesarianas chegam a 80% dos partos realizados. No Brasil como um todo, segundo números oficiais (os mais recentes são de 2004) a taxa de cesarianas está em 34,5% dos 2,5 milhões de partos efetuados. No mesmo ano, em média, 71,5% dos partos na rede particular foram cesarianas.

A cesariana é uma cirurgia em que uma incisão é feita no útero para a retirada do bebê e é recomendada em casos de dificuldades no parto normal, quando o bebê está sofrendo ou se a mãe está doente ou tem pressão alta.

Segundo Heloísa Lessa, secretária-executiva da ONG Rede pela Humanização do Parto e do Nascimento, nos grandes centros brasileiros há hospitais em que até 99% dos partos são feitos via cesariana. Segundo ela, as brasileiras urbanas correm sete vezes mais risco de morrerem no parto do que as que vivem no meio rural.

Heloísa ressalta que providências estão sendo tomadas. Já há no Brasil iniciativas como o Pacto Nacional Para Redução da Mortalidade Materna, patrocinada pelo Ministério da Saúde, que reduz o pagamento de cesarianas para hospitais. Se mais de 40% dos partos forem induzidos, os hospitais deixam de ganhar adicionais. O MS também promove o Programa de Humanização no parto e as perspectivas são de que os números venham a baixar.

PRESSÔES Em toda a América Latina, 2 milhões de crianças estão nascendo de cesáreas a cada ano, a um custo extra de US$ 350 (cerca de R$ 700) cada. O dinheiro que, segundo o estudo "poderia ser usado para melhorar outras áreas do tratamento das mães e dos bebês e pagar pesquisas necessárias". O motivo para um volume alto de cesarianas vai desde pressões sociais à percepção da segurança da cirurgia.

Os dados da OMS, no entanto, contradizem a idéia de que a cesariana, quando feita de forma desnecessária, é tão segura quanto o parto normal. Para o chefe da equipe que fez o estudo, o médico José Villar, taxas mais altas de nascimento por cesariana não indicam, necessariamente, boa qualidade de serviços ou de tratamento.

Fonte: Estado de Minas, 24/05/06

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